sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mas ele em nenhum momento poderia ter sentido a dor e o sofrimento que um dia eu senti ao ver ele partir.


 
 Havia um senhor sentado, tinha os cabelos grisalhos, ele admirava o nada e isso me lembrara alguém. Alguém de minha juventude, alguém por quem eu havia me apaixonado. Era ele. Eu tinha certeza. Eu não me lembrava muito de seu rosto, fazia tanto tempo que eu não o via, mas mesmo assim eu sabia que era ele. Eu não podia ficar ali parada fingindo que eu não o vi, não depois de ter percebido que ele havia me visto. Ele sorria e isso fez com que uma lágrima deslizasse por meu rosto. Sorri por ver que eu ainda era uma idiota. Passei os dedos em meu rosto e respirei fundo, fui em sua direção lentamente e minhas pernas fracas e pequenas quase me deixaram na mão quando eu ouvi sua voz, rouca como sempre, só um pouco desgastada pela idade e um pouco fraca, mas digamos que a mesma.
- Minha menina... - Sorri novamente, fazia muitos anos que não o ouvia me chamar assim. - Senti sua falta por todos esses anos. - Sua voz falhou um pouco. Me sentei ao seu lado.
- Também senti, Pietro. - Seu nome soou estranho em minha voz, mas me causou uma sensação boa.
- Pietro... Faz tanto tempo que você não me chama assim. - Ele sorriu rapidamente e depois abaixou a cabeça um pouco sério. - Você me chamava de...
- Meu amor, eu me lembro. - Essa sensação foi mais forte e melhor da que senti em apenas dizer seu nome. Ele sorriu quando pronunciei meu amor. - Também me lembro da ultima coisa que você me disse: Nunca me esqueça. - Eu nunca iria me esquecer do modo que ele admirava o nada sorrindo, e nem do modo que ele me amava, não iria me esquecer da maneira como ele me olhava e principalmente, nunca me esqueceria dele.
De repente ele ficou sério, como se tivesse se lembrado de algo não muito agradável que ele havia prometido a ele mesmo que iria esquecer.
- Sinto muito, eu não deveria ter deixado você. - Essa era uma lembrança ruim que eu tinha dele, ele havia me deixado por um sonho, um sonho que me parecia ser bobo, mas que para ele era incrível – viajar ao redor do mundo.
- Mas deixou. - Sua expressão mudou, parecia sentir dor. Mas ele em nenhum momento poderia ter sentido a dor e o sofrimento que um dia eu senti ao ver ele partir.
- Sinto muito. - Eu não poderia sentir novamente tudo aquilo que senti por ele quando o vi partir. Pelo menos não agora.
- Tudo bem, você só queria apenas realizar um sonho.
-
Esse foi me erro. - Ele olhou em meus olhos. Eu quase havia me esquecido de como eles eram, de como sua cor era marrom feito chocolate e de como eles se enchiam d'água. - Eu achava que ao dar uma volta ao mundo, eu iria achar a felicidade. Mas eu estava errado. Só consegui perceber isso quando eu a perdi. - Sua voz falhou novamente. - Eu só poderia ser feliz com você, apenas você. - Senti algumas lágrimas descerem pelo meu rosto.
- Você demorou demais para perceber isso. - Sussurrei próximo ao seu peito.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

... Eu sabia que eu era seu ponto fraco, e ele também sabia que ele era o meu...


 
Olhar para ele naquele momento foi difícil, - eu queria ter ele pra mim, naquele momento. Mas havia algo que me impedia de tê-lo. Parecia que ele queria me explicar algo inexplicável, algo insuportável, mais ao mesmo tempo queria que eu soubesse de alguma outra forma. Então eu percebi. Aquilo era um adeus, um adeus da pessoa que mais amo.
"Agora eu entendi..." - Disse desapontada, estava frio, minhas pernas estavam fracas e tremulas, elas não queriam me obedecer, não agora. Minhas pernas fraquejaram e ele estava lá, me segurando, me abraçou bem forte e depois me afastou um pouco de seu corpo para poder me olhar. Eu não sabia como tirar os olhos dele, era quase impossível.
"Me desculpe, mas não tenho outra escolha." - Senti algumas gotas em meu rosto. Ele colocou meu rosto entre suas mãos e me beijou entre meus soluços de choro. Continuei tremendo, afinal, ele era uma parte de mim, uma parte de mim que me dizia adeus.
"Não vou por muito tempo..." - Segurei seus pulsos, suas mãos ainda seguravam meu rosto. Fechei os olhos.
Mas será tempo suficiente para eu sentir desespero, por não sentir mais seu cheiro e nem seu corpo perto do meu - gostaria de ter dito, mas estava fraca demais, então me limitei em dizer. ''Por favor... não vá.''- Ele estava sofrendo, dava para ver em seus olhos. Ele me beijou mais uma vez, mas dessa vez ele estava chorando. Eu sabia que eu era seu ponto fraco, e ele também sabia que ele era o meu. Ele afastou seus lábios dos meus, depois os aproximou novamente, várias e várias vezes.
"Só não se esqueça de uma coisa..." - Ele sussurrou depois de um longo tempo. "Eu amo você."